segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Ato VIII

Não costumo me arrepender do que faço, mas se desse relacionamento não tivesse surgido a coisa mais importante que tenho na vida, que é meu filho, diria agora que foi uma das piores decisões que tomei na vida.

A minha história com “D” renderia muitas folhas, mas vou apenas resumir que foi difícil. Foram 5 anos de um relacionamento que quase me destruiu... me deu meu filho lindo que amo, mas me deixou marcas profundas... foram os 5 anos mais difíceis da minha vida... não tudo por culpa dele, mas ele contribuiu e muito para o estado que cheguei. Passando muito por cima vou contar que fui demitida e acabei mudando de área de atuação profissional, que tive uma depressão por um conjunto de fatores, que sofri agressões verbais e físicas, me senti podada e resumida a nada... um alguém triste, que desaprendeu a sorrir...

Quando finalmente nos separamos começou uma fase um pouco menos difícil, mas ainda muito dolorosa... não pela separação, pois isso só me proporcionou alívio, mas pelo fato de que eu tinha muito o que recuperar... as feridas nunca fechariam por completo, mas eu precisava, pelo menos, voltar a sorrir, voltar a ser eu mesma... não exatamente a mesma de antes, mas eu precisava da minha força para não perder meu filho, por exemplo... foi uma batalha grande, mas posso dizer que consegui... não sem ajuda, é claro.

Sabe, costumo dizer que não sou para esse mundo, e as vezes acho que não sou, de verdade... tenho milhões de defeitos, mas tenho algumas características que me fazem diferente, e as pessoas não sabem lidar com isso direito... sem querer elas passam por cima de mim, dos meu sentimentos... sem querer, pela minha natureza, permito que as pessoas façam isso comigo.

Sou compreensiva demais, flexível demais, paciente demais.... as pessoas não sabem lidar com isso... na verdade, no fundo, não dão muito valor... já pensei mil vezes que não posso seguir sendo assim, mas não consigo mudar... são características da minha personalidade... observo as pessoas, tento entender porque agem de um jeito ou de outro... isso não é burrice ou fraqueza, mas sei que acaba sendo visto assim pelas pessoas... uma pena... ou não... vai ver elas estão certas e eu preciso mesmo me forçar a ser diferente, ou melhor, me forçar a ser normal, como a maioria das pessoas, pois acabo deixando meu amor próprio lá atrás... levo em consideração os problemas dos outros, mas ninguém leva os meus em consideração... é difícil coordenar minhas características com meu amor próprio e, querendo ou não, é necessário se colocar em primeiro lugar... isso não é ruim.

Não tenho raiva de “D”, mesmo diante de tudo que passei e de todas as coisas que ele me fala, quando está com raiva, até hoje... são palavras para me atingir, me diminuir, mas eu continuo tentando entendê-lo, relevar as coisas que ele fala... estenderei a minha mão para ele sempre que ele precisar, porque sou assim... quero muito, do fundo do coração, que ele seja feliz, que ele se trate para que consiga ter uma vida mais feliz, porque ele não é uma má pessoa e sei que ele sofre...

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