segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Ato II

Desde criança sou esquisita, bichinho do mato, como dizia minha avó. Na adolescência engordei e era a gordinha simpática que de tudo participava e que conhecia todo mundo, era amiga de todo mundo... eu era popular, me entrosava com certa facilidade, mas no fundo, já me sentia um nada... a angústia já estava lá. Sentia-me gorda, desajeitada, mal vestida...

Tinha um relacionamento péssimo com meu pai, algo que vem de outra vida, imagino, pois não tinha muita explicação... eu era desorganizada e isso o irritava demais, mas não justificava o fato de nada em mim, aparentemente, ser bom o suficiente para ele... eu nunca conseguia agradar...

Acho eu, que a mistura dessas duas coisas moldaram esse bichinho que vive dentro de mim... dentro da menina popular da época da escola e da boa amiga, racional e compreensiva, que sou hoje... sempre envergonhada, sempre me sentido incomodando, sempre implodindo ao invés de explodir, sempre com dificuldade para lidar com elogios ou acreditar neles... Insegura, desprovida de alto estima em diversas circunstâncias... Em alguns momentos alguém capaz de sentar na frente de um frasco de veneno e pensar que essa seria uma boa saída... pois é, olhando de longe vocês não poderiam imaginar, acreditem... Mas é assim que era, e ainda é.

Nenhum comentário:

Postar um comentário